"Las calles de Buenos Aires
ya son mi entraña.
No las ávidas calles,
incómodas de turba y de ajetreo,
sino las calles desganadas del barrio,
casi invisibles de habituales,
enternecidas de penumbra y de ocaso
y aquellas más afuera
ajenas de árboles piadosos
donde austeras casitas apenas se aventuran,
abrumadas por inmortales distancias,
a perderse en la honda visión
de cielo y de llanura.
Son para el solitario una promesa
porque millares de almas singulares las pueblan,
únicas ante Dios y en el tiempo
y sin duda preciosas.
Hacia el Oeste, el Norte y el Sur
se han desplegado–y son también la patria–las calles:
ojalá en versos que trazo
estén esas banderas."
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quarta-feira, outubro 05, 2011
Ah, las calles de Buenos Aires!
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quinta-feira, junho 30, 2011
10 centavos
10 centavos, de Cesar Fernando de Oliveira, 2007, 19 min
Um tapa na cara de toda a classe média do país. Nós, que tantas vezes estamos do lado de cá da janela do carro, emburrados por ter que dar algumas moedas ao flanelinha, desta vez nos colocamos na pele negra do cabelo oxigenado, do menino guardador de carros.
10 centavos, 40 centavos, três reais. Quantias que parecem insignificantes - o troco da balinha, a moeda que caiu e não pegamos de volta – adquirem um valor incrível nas mãos do garoto, que se vira guardando e lavando carros e regando flores. Garantem o seu almoço e a janta do irmão caçula, ao mesmo tempo que desafiam e exaltam a honestidade da criança.
Um tapa na cara de toda a classe média do país. Nós, que tantas vezes estamos do lado de cá da janela do carro, emburrados por ter que dar algumas moedas ao flanelinha, desta vez nos colocamos na pele negra do cabelo oxigenado, do menino guardador de carros.
10 centavos, 40 centavos, três reais. Quantias que parecem insignificantes - o troco da balinha, a moeda que caiu e não pegamos de volta – adquirem um valor incrível nas mãos do garoto, que se vira guardando e lavando carros e regando flores. Garantem o seu almoço e a janta do irmão caçula, ao mesmo tempo que desafiam e exaltam a honestidade da criança.
Honestidade que pode até causar surpresa no público, de tão
singela e genuína. Inspirado talvez no olhar de Jorge Amado sobre os Capitães
de Areia, o filme de Cesar Fernando é um contraste com o retrato criminalizante
tão comum dos jovens negros e pobres do Pelourinho e do resto do mundo. Saímos
do filme emocionados com a batalha diária desses meninos, mas é insuportável a
dor da falta de perspectiva de um futuro melhor. Afinal de contas, lavadores de
carro não se aposentam.
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quarta-feira, junho 29, 2011
Flash Happy Society?
Flash Happy Society, Guto Parente, 2009
Uma metonímia. A síntese, em oito minutos, do que representa a nossa sociedade da imagem. No curta completamente experimental, o cineasta mostra como o show - e tantos outros momentos perfeitos para serem aproveitados com amigos, familiares e desconhecidos - perde espaço para a necessidade de se registrar o instante para compartilhar com o mundo, posteriormente.
No universo de câmeras digitais, flashes efêmeros, em cartões de memória infinita, o presente só tem importância se for bem capturado. A música, fim maior de qualquer concerto, é constantemente interrompida pelos flashes. O objetivo passou para o segundo plano. O que importa agora é mostrar para todo mundo que você esteve na festa, com aquelas pessoas e que aproveitou muito. Ainda que não tenha aproveitado nada. Ainda que não se tenha permitido sentir aquele instante, em sua essência.
A crítica, começa já no nome inglês do curta-metragem. “Flash Happy Society”, a sociedade dos estrangeirismos, das aparências, da superficialidade, da falta de originalidade. Será que seremos – ou já estamos! – todos ofuscados por esse flash?!
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