| Três dias de atividades diversas incentivaram os alunos a se prepararem para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação
Durante os dias 15, 16 e 17 de maio, estudantes do Distrito Federal, Mato-Grosso e Mato-Grosso do Sul se reuniram em Dourados-MS para debater a comunicação como um direito humano. No Encontro Regional dos Estudantes de Comunicação Social (Erecom), palestras, debates, oficinas e festas garantiram a integração dos alunos das 8 universidades e faculdades representadas. Discussões sobre os diferentes currículos, regras de estágio, condições de assistência estudantil, regulamentação da profissão do publicitário e obrigatoriedade do diploma para o jornalista, preencheram o fim de semana dos alunos, que agora se preparam para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, a Confecom. |
sábado, maio 23, 2009
Estudantes de comunicação do Centro-Oeste se reúnem em Dourados-MS
segunda-feira, maio 11, 2009
domingo, maio 10, 2009
Dia das mães.
Das mães da maternidade, das mãedrastas, das mães dos nossos pais, das tias-mães, das mães-das-amigas-irmãs, das professoras-mães, das mães da vida.
"A voz do anjo sussurrou no meu ouvido,
Eu não duvido já escuto os teus sinais,
Que tu virias numa manhã de domingo,
Eu te anuncio nos sinos das catedrais...
Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais"
Dia de quero colo, quero almoço-família, quero ir no parque olhar pras nuvens e tomar chimarrão, comendo chocolate, ouvindo mamãe falar besteira.
Que dia...
Astrologias
Today is one of the rare days where your natal charts remains untouched by transits of the swift moving planets. A good day to think things over, review the past and look ahead into the future. It would also be a good day to fulfil yourself a secret wish or carry out an intention that you have had for a long time - especially if you want to be free of all kinds of influences to do it. However, decisions taken of your own accord are not written in the stars; perhaps you just want to relax today and simply be yourself.
terça-feira, maio 05, 2009
um abraço apertado e a espera pelo repouso garantem a felicidade
que andava se escondendo.
terça-feira, abril 28, 2009
Imparcialidade - 1
ou, pensando melhor, será que isso não é quase uma alienação?
existe solução?
domingo, abril 26, 2009
Cansaço...
"Mentira la mentira
Mentira la verdad
Todo es mentira en este mundo
Todo es mentira la verdad
Todo es mentira yo me digo
Todo es mentira ¿Por qué será?"
sexta-feira, abril 24, 2009
Novos cursos ainda sem aprovação na UnB
| Para o segundo vestibular de 2009, alunos terão mais nove opções de cursos para escolherem. São 552 novas vagas, que fazem parte do programa de reestruturação e expansão das universidades federais (Reuni), em parceria com o MEC A abertura das vagas para novos cursos no Campus Darcy Ribeiro foi aprovada no último Conselho Universitário (Consuni), no dia 17 de abril. No entanto, apenas o curso diurno de Geofísica e o noturno de Museologia foram analisados e autorizados pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UnB (Cepe), responsável pela aprovação dos novos cursos. Os outros sete cursos ainda têm de ser aprovados antes do início das aulas. Para o aluno de Ciência Política Raul Cardoso, conselheiro do Cepe, a aprovação dos novos vestibulares foi corrida. Segundo ele, “dessa forma a universidade está perpetuando uma lógica, contra a qual o movimento estudantil luta cotidianamente. Estamos criando cursos sem saber o que eles serão, qual sua fundamentação, a infra-estrutura e o corpo docente e técnico necessários. A lógica continua invertida, cursos novos são criados sem um debate sobre que UnB a gente quer. Isso foge ao princípio da gestão compartilhada e transparente.” Ainda assim, para Raul, quando os cursos que ainda não foram aprovados chegarem ao Cepe, eles provavelmente serão liberados sem muita resistência. Esses cursos são os noturnos de Letras-Tradução Espanhol, História – Licenciatura, Música – Licenciatura, Gestão de Políticas Públicas, Engenharia de Produção e Ciências Ambientais, e o diurno de Engenharia da Computação. “É importante democratizar o acesso à universidade” defende a decana de Ensino e Graduação, Márcia Abrahão, “e uma das medidas para isso é o fato de sete dos cursos criados serem noturnos”. O Cepe aprovou no ano passado a contratação de 300 novos professores, já autorizados pelo Ministério da Educação (MEC) dentro do Reuni. Eles foram distribuídos de acordo com a oferta de disciplinas de cada departamento. Segundo a decana Márcia Abrahão, essas contratações já foram aprovadas “antecipando o aumento de vagas no vestibular entre 2009 e 2010, e agora cabe apenas aos departamentos realizarem seus concursos”. O estudante de Serviço Social Fábio Félix, conselheiro do Consuni, declarou que há uma demora maior na contratação dos professores do Reuni. Segundo ele, foram realizados quatro concursos no Departamento de seu curso, das quais três são para ocupar vagas de professores que deixaram o departamento, e um para atender às demandas da Reforma Universitária. Fábio explica que “o único que ainda não foi homologado é o do Reuni, e com essa demora é possível que a UnB tenha que realocar professores já contratados para suprir a demanda dos novos cursos, o que aumentaria ainda mais a relação do número alunos para cada professor”. Essa relação atualmente está estimada em 16 para 1, e até o fim da implementação do Reuni deve subir para 18. Consórcio entre Unidades Acadêmicas Alguns dos novos cursos vão funcionar com o sistema de consórcio entre diferentes unidades acadêmicas da universidade. Esse sistema acontece quando mais de uma unidade, com afinidades na área de atuação, se juntam para administrar um curso multidisciplinar. É o caso do curso de Gestão de Políticas Públicas, por exemplo, que será ofertado em conjunto pelo Instituto de Ciência Política, o Departamento de Economia e o Departamento de Administração. A distribuição dos novos professores contratados para os cursos ofertados em consórcio leva em consideração a porcentagem de disciplinas ofertadas por cada departamento. No caso do novo curso noturno de Museologia, por exemplo, a maior parte dos créditos é oferecida pelo Centro de Informação e Documentação, que receberá mais professores. As demais contratações serão distribuídas proporcionalmente entre o Departamento de Economia, Administração e Contabilidade. Infra-estrutura para receber os novos cursos O Governo Federal já liberou R$18 milhões para a UnB investir em obras de infra-estrutura, apenas no Campus Darcy Ribeiro. Foram comprados 30 veículos para auxiliar os alunos em trabalhos de campo e outras viagens. Alguns anfiteatros já estão fechados para reformas, assim como algumas salas espalhadas pelo campus. A conclusão dessas obras está prevista para o meio do ano. Também será implementado o projeto de construção de um Bloco de Ensino, parecido com os Pavilhões já presentes no campus, onde terão salas de aula, laboratórios e salas de estudo. Para o estudante Raul Cardoso, “o maior problema não está na precariedade da estrutura das salas de aula, e sim no que diz respeito à assistência estudantil. Esse semestre, por exemplo, não foram oferecidas vagas para novos moradores da Casa do Estudante, o que é um absurdo”. O Restaurante Universitário (RU) e a Casa do Estudante (CEU) ainda não tiveram sua expansão iniciada. O RU está em reforma desde as férias de verão, e a Câmara de Assuntos Comunitários ainda está discutindo os reparos da CEU a serem realizados nesse semestre. A construção de um novo RU e uma nova moradia para os estudantes devem começar ainda neste ano. |
domingo, abril 12, 2009
"Gribada"
Nem só com própolis, mel, chazinho, paracetamol e cobertas se cura uma gripe.
Bons amigos são os melhores remédios pra chuva que cai lá fora;
... e do meu nariz.
De prós e contras pro ar!
E o vice-versa é verdadeiro. Ah, que mal tem em se deixar levar? Mal nenhum, eu sei. E não é essa a questão. Pelo menos não comigo. Ao contrário: não é que eu pese os prós e os contras e decida "oh, veja bem, é melhor pararmos por aqui". Eu simplesmente perco os prós de vista (se é que já os tinha avistado) e, sem a menor vontade de prosseguir, paro o que nem começara.
Eis que, quando um belo instante eu não apenas enxergo os prós, como ignoro todos os contras, o tal do príncipe encantado vira o feitiço contra a feiticeira - que, acredite se quiser, não passa de uma florzinha do campo!
Abracadabra, pirim plim plim... Num passo de mágica, eu desisto, tu desistes, nós desistimos. Assim, ninguém dá a cara a tapas, tem o coração partido, chora rios Amazonas ou São Francisco... ou, muito menos, é feliz para sempre. Ou por um instante que seja.
"The worst mistake that you can make is to think you're alive when really you're asleep in life's waiting room." (waking life)
sexta-feira, março 20, 2009
Como dizia o poeta...
Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai
Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não
Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão
sábado, março 14, 2009
Hematomas
Um pensamento, um beliscão
De tanto pensar no impensável,
fiquei com um roxão.
segunda-feira, março 09, 2009
Eu quero é viver em paz....
Eu quero ver
Você mandar na razão
Prá mim não é
Qualquer notícia
Que abala o coração...
Se toda hora é hora
De dar decisão
Eu falo agora
No fundo eu julgo o mundo
Um fato consumado
E vou-me embora
Não quero mais
De mais a mais
Me aprofundar
Nessa história
Arreio os meus anseios
Perco o veio
E vivo de memória...
Eu quero é viver em paz
Por favor me beija a boca
Que louca, que louca!...
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Ô jardineira!
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a camélia que caiu do vaso,
deu dois suspiros,
e depois morreu...
Ô Jardineira, ô meu amor...
Não fique triste que esse mundo é todo seu,
tu és muito mais bonita que a camélia que morreu!"
carnavalescando!
Quoting "Before Sunrise"
“I always think that I’m still this 13-year old boy that doesn’t really know how to be an adult, pretending to live my life, taking notes for when I’ll really have to do it.”
“If there's any kind of magic in this world it must be in the attempt of understanding someone sharing something. I know, it's almost impossible to succeed but who cares really? The answer must be in the attempt.”
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Rifa-se um coração idealista
"Rifa-se um coração
Um coração idealista
Um coração como poucos
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque
Que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração
Que, na realidade, está pouco usado
Meio calejado, meio machucado
E que teima em alimentar sonhos e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
Que nunca desiste
Um leviano
E precipitado coração
Que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu:
"Não quero dinheiro, quero amor sincero, isso é que eu espero!"
Um idealista
Um verdadeiro sonhador.
Rifa-se um coração
Que nunca aprende, que não endurece
E mantém sempre viva a esperança de ser feliz
Sendo simples e natural.
Um coração insensato
Que comanda o racional
Sendo louco o suficiente
Para se apaixonar.
Um furioso suicida
Que vive procurando
Relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração
Que insiste em cometer
Sempre os mesmos erros.
Esse coração
Que erra, que briga, se expõe
Perde o juízo por completo
Em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às vezes,
Revê suas posições
Arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido
Tantas vezes provocado
Tantas vezes impulsivo
Um coração para ser alugado
Ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes. Um coração abastado
Indicado apenas para quem quer viver intensamente.
E, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
Defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração
Tão inocente
Que se mostra
Sem armaduras
E deixa louco
O seu usuário.
Um coração que, quando parar de bater, ouvirá seu usuário dizer:
"O senhor pode conferir, eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento,
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança,
Que insiste em não endurecer se recusa a envelhecer."
Rifa-se um coração
Ou até mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo,
Um órgão fiel ao seu usuário
Um "amigo do peito" que não maltrate tanto o ser que o abriga
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração
Cego, surdo, mudo
Mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado.
Provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais
Por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano,
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado,
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar.
Uma vez por outra constrange o corpo que domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos,
A ter a petulância de se aventurar como poeta."
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
Coragem
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Surtos criativos
- moradora de rua, sorriso de carnaval, escadarias de algum orgão público, na presidente vargas, marcha de abertura do fórum E morador de rua da Serzedêlo, murilo e o cocozão, risada sem graça, é um cavalo, animais no (ou do?) fórum.
- gato da delegacia - narração em primeira pessoa
cria da casa, sem ratos, "anda abusando, trazendo namoradas" diz delegado, toma um banho sob olhares curiosos
sem dono, ar condicionado e cadeira, senta-se imponente, cadeira do espirro, alergia a gatos
sai pelas ruas, toma banho de chuva, de sol, de lua e volta.
sábado, fevereiro 07, 2009
Cheia d'um nada
Expiro, inspiro.
Inspiro, expiro. Não sei ao certo o que expiro, se sinto não ter nada dentro de mim. É só mais um daqueles vazios cheios d'um nada arrebatador.
Também não espirro! Veja bem, meu bem, não é dessas doenças.
Mas minha cabeça fica de cama.
Não levanta por nada nesse mundo. Na fila do banco, tomando água de coco na praça, boiando no mar, rindo de piadas e ciladas... está sempre debaixo do travesseiro.
Passam-se as horas; os momentos áureos, prateados e cor daqueles burros quando fogem! A vida a se viver, a revolução a se fazer, os amores a se encontrar... tudo passa, pássaros grandes e pequeninos.
E minha cabeça, covarde, sem coragem de enfrentar o nada que insiste em aparecer: a falta de magia, a apatia, e a mediocridade intrínseca. O sol pode brilhar, Chico, cantar... e a gente até se emocionar.
Mas no fim das contas, quando o garçon nos coloca à sarjeta de sua espelunca, o que era dia vira noite, e da noite às vezes prefiriria que nem se (re)fizesse o dia.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Brasil Com P
Pesquisa publicada prova
Preferencialmente preto
Pobre prostituta pra polícia prender
Pare pense por quê?
Prossigo
Pelas periferias praticam perversidades
Pm's
Pelos palanques políticos prometem prometem
Pura palhaçada
Proveito próprio
Praias programas piscinas palmas
Pra periferia
Pânico pólvora pa pa pa
Primeira página
Preço pago
Pescoço peitos pulmões perfurados
Parece pouco
Pedro Paulo
Profissão pedreiro
Passatempo predileto
Pandeiro
Preso portando pó passou pelos piores pesadelos
Presídio porões problemas pessoais
Psicológicos perdeu parceiros passado presente
Pais parentes principais pertences
Pc
Político privilegiado preso parecia piada
Pagou propina pro plantão policial
Passou pelo porta principal
Posso parecer psicopata
Pivô pra perseguição
Prevejo populares portando pistolas
Pronunciando palavrões
Promotores públicos pedindo prisões
Pecado pena prisão perpétua
Palavras pronunciadas
Pelo poeta irmão..
Próxima Parte
…Papai pede pizza ,Papai!
Patricinha, pega pipoca!
Poxa papai, pede pizza!…
… pronto, pizzaria Pazianoto?
Prepara pizza, parte palmito, parte presunto.
Positivo, preparo!
…Papai, papai, papai…
Pelo presente pronunciamento, pedimos punição para peixes pequenos, poderosos pesos pesados.
Pedimos principalmente paixão pela pátria, prostituída pelos “picaretas” portugueses…
Previnimos, posição parcial poderá provocar protestos, paralizações, piquetes, pressão popular, preocupados?
Promovemos passeatas pacíficas, palestras, panfletamos, passamos perseguições, perigos por praça, palcos…
Proibido policiais petulantes, pressionavam? Pancadas, pauladas, pontapés, pangarés pisoteando, postulavam prêmios… pura pilantragem.
Padres, pastores, promoveram procissões pedindo piedade, paciência para população, parábolas profecias, prometiam pétalas, paraíso predominou predador.
Paramos pensamos, profundamente: Porque pobre pesa plástico, papelão, pelo pingado , passagem, pelo pão; porque proliferam pragas, pestes pelo país, por que, presidente?
Para a pricesinha patricinha, prestígio, patrocínio, progresso, patrimônios, propriedades, palacetes, porcelanas, perfumes, pérolas, plásticas, plumas, paetê?
Porque prosseguem para plebeu predestinado, pranto, perfurações, pêsames, puseira parapulso, pia, pueira, pedrada, pagar prestação por prestação, parceiros paralíticos, paraplégicos, prostituição.
Personalidades públicas poderiam presionar! Permanecem paralizadas, procedimento padrão?
Parabéns. Peço permissão para perguntar, porque pele preta, postura parda?
Pô pensador pisou, pior, pousou para playboys, para platéias. Peço postura, personalidade; para parceiros para parceiras. Presidente, palmares proclama: Primeiro, presença popular permanente.
Proposta? Pente por pente, pipoco por pipoco, paredão para os parasitas.
segunda-feira, janeiro 12, 2009
por Arnaldo Antunes
"Vai sem direção
Vai ser livre
A tristeza não
Não resiste
Jogue seus cabelos no vento
Não olhe pra trás
Ouça o barulhinho que o tempo
No seu peito faz
Faça sua dor dançar
Atenção para escutar
Esse movimento que traz paz
Cada folha que cair
Cada nuvem que passar
Deixa a terra respirar
Pelas portas e janelas das casas
Atenção para escutar
O que você quer saber de verdade"
domingo, janeiro 04, 2009
Quoting Emma
Sonhos, sorrisos, borboletas no estômago, seja em Jane Fairfax & Frank Churchill, Harriet Smith & Robert Martin ou Emma Woodhouse & George Knightley.
...
"Mr. Weston's ball was to be a real thing. A very few tomorrows stood between the young people of Highbury and happiness." p. 207
"Me oft has fancy, ludicrous and wild,
Sooth'd with a waking dream of houses, tow'rs,
Trees, churches, and strange visages, express'd
In the red cinders, with with poring eye
I gaz'd, myself creating what I saw." p.224
"I cannot make speeches, Emma:" - he soon resumed; and in a tone of such sincere, decided, intelligible tenderness as was tolerably convincing. - "If I loved you less, I might be able to talk about it more. But you know what I am. - You hear nothing but truth from me. - I have blamed you, and lectured you, and you have borne it as no other woman in England would have borne it. - Bear with the truths I would tell you now, dearest Emma, as well as you have borne with them. The manner, perhaps, may have as little to recommend them. God knows, I have been a very indifferent lover. - But you understand me. - Yes, you see, you understand my feelings - and will return them if you can. At present, I ask you only to hear, once to hear your voice." p.282
"Seldom, very seldom, does complete truth belong to any human disclosure; seldom can it happen that something is not a little disguised, or a little mistaken; but where, as in this case, though the conduct is mistaken, the feelings are not, it may not be very material. - Mr. Knightley could not impute to Emma a more relenting heart than she possessed, or a heart more disposed to accept of his." p.283
"He had found her agitated and low. - Frank Churchill was a villain. - He heard her declare that she had never loved him. Frank Churchill's character was not desperate. - She was his own Emma, by hand and word, when they returned into the house; as if he could have thought of Frank Churchill then, he might have deemed him a very good sorf of fellow." p.284
quinta-feira, janeiro 01, 2009
Receita para viver 100 anos
Amar: Sim
Rir: Muito (principalmente de si mesmo)
Comer: Pouco (mas de tudo)
Caminhar: Sempre (e sair para passear)
Tomar vinho: Com moderação (e algum excesso)
Ir ao médico: O mínimo necessário (sempre acham alguma coisa em você)
°°°°°
Limpar medos, jogar fora os preconceitos
Deixar de lado o ciúme e os rancores
Preservar a criança que sempre há na gente
Cortar bem fino e com paciência
Bater com energia, refogar com coragem
Acrescentar generosidade
Amassar com as mãos
Levar o desejo ao ponto de ebulição
Ralar uma pitada de loucura
Temperar com vida interior
E perfumar com amigos
Unir com trabalho e diversão
Deixar descansar
Pode-se acompanhar com música e/ou crianças
Decorar com bom humor
E servir com alegria
Mexa! Junte! Destampe! Misture!
terça-feira, dezembro 30, 2008
Sólo un segundo
Por Bacilos
"La recuerdo sin azúcar y sin crema y sin excusas
La recuerdo en la mañana despertándose en mi cama
La recuerdo en la pereza de una rutina que empieza
La recuerdo preocupada por lo que hoy no vale nada
La recuerdo en sus dilemas entre cuentas y poemas
En el ruido de la calle perdida siempre en los detalles
La recuerdo, sin vergüenza
La recuerdo en un segundo en que llego a lo mas profundo"
terça-feira, dezembro 23, 2008
Belém:
sorvete de pavê de cupuaçu, paraense, mestiço
açaí
maniçoba
farofa
batata palha
acaí com gelo, açúcar e farinha de tapioca
e alguns quilos a mais.
de melzinha a melancia.
Amizade velha de momentos novos
Fachada laranja, corredor comprido
- com janelas nos quartos, que dão para dentro da casa. Na ordem desorganizada Juana, Júlia, Thaís e a amiga do pacto de cuspe - Tia Luísa.
Roger e Tininha - os bichinhos - não têm quarto. Ou melhor, têm todos, entre janelas e ventiladores. Calcinhas, brincos e sutiãs.
As vozes se confundem, as mulheres também.
É tudo igual, problemas, confusões e a amizade.
Dois anos de contexto relatados.
Quatro horas e um pouco da madrugada: mal dão pro começo de uma grande saudade.
Maravilha de risoto!
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Tropeços
Família em processo de separação, "é importante estarmos juntos nessas horas", diz a avó por parte de madrasta, "eu e seu avô fizemos as contas e dá pra comprar sua passagem, você vem né? A gente entende se tiver muito ocupada, mas nós queremos muito que você venha", insiste.
Então eu vou, saio na sexta pra voltar terça. Pego um frescão direto pra Copacabana. Maravilha de transporte público, ah se Brasília tivesse um desses. E sigo curtindo o Ipod enquanto passam à minha frente favelas, os Arcos da Lapa, Botafogo, e a Avenida Atlântica. No caminho, ainda ajudo uns turistas franceses. "Francês é foda", reclama um passageiro, "só sabe falar a língua dele e se recusa a aprender inglês, e ainda por cima fica puto quando tu vai ajudar! É foda!"
Desço na Bolívar. São umas 21h30, os bares estão cheios. Bem que Brasília podia ser assim, cerveja com gente bonita e despojada para todo o lado - pra lá da 1h da manhã. "Tem uns barzinhos novos por aqui... esse Espelunca tá com uma cara ótima!". Chego em casa. Aquele abraço na família, papai tá passando pra gente ir jantar.
Vamos a pé mesmo, tudo pertinho. No Espelunca mesmo. Comemos aquela costelinha na entrada, com um molho agridoce fantástico. Rola um sushi no prato principal. Meu pai e meu primo, pra completar, ainda atacam um carneirinho. Estou tranquila, só no choppinho. "Pô, bonzão esse lugar, hein!" finaliza satisfeito meu pai, pouco antes de pagar a conta, não tão boa assim.
No caminho de casa, um tropeço. Um menino, semi-despido, deitado sobre o ventilador de rua. Uma mistura de braços, pernas, mãos, e costelas.
Esta mesma noite minha tia, quando questionada sobre suas impressões iniciais da recente mudança para o Rio de Janeiro, prontamente responde: "Ah, é nojento, cara! Puta que o pariu! Cê sai de manhã e tropeça no moleque que dorme na frente do teu prédio, pô! Rua não é lugar de ninguém dormir não. Me embrulha o estômago, é muito pobre pra todo lado! Lá em Brasília é tudo camuflado, tudo limpinho."
O sushi, o avião, o choppinho... tudo começa a se revirar em meu estômago. Me dá um enjôo da vida; do despudorado exposto, do cruelmente camuflado. Meu pai me oferece seu casaco, não controlo o choro. Como poderia sentir frio enquanto o moleque dorme ao relento, encolhido na esperança de que, menor o corpo, menor o frio?
Lágrimas, náuseas. Uma tremida de indignação, perante apenas mais uma das injustiças do mundo. Meus companheiros, cadê? Na praia, afogando as mágoas nas ondas e na cerveja gelada. O Rio de Janeiro continua lindo. E nojento. É foda!
terça-feira, dezembro 02, 2008
Vivendo do lixo, no lixo
*Com o apoio de Murilo Gomes e Pedro
Quem normalmente passa pelo final da via L3 Norte, já se acostumou com a paisagem constante que são os moradores de rua em frente à Colina, área residencial destinada aos professores da Universidade de Brasília (UnB). Carroças, barracos e moscas compõem o quadro nem sempre agradável de se ver, e são freqüentes as reportagens sobre o local. Dona Luzineide, catadora de lixo de 44 anos e aparência jovem, diz já estar "enjoada de tirar fotos".
As matérias na maioria das vezes enfatizam a venda de drogas e os maus-tratos com os cavalos. São superficiais e reforçam o estereótipo marginal dos moradores de rua. "Outro dia veio um menino saber se aqui vendia droga, e eu disse a ele: minha vida já é uma droga. A única droga que tem aqui sou eu", reclama a senhora ao varrer parte do papel que revende a uma empresa de reciclagem, pra debaixo de um plástico e "não molhar demais com a chuva".
Cearense, Luzineide nasceu em Missão Velha, mas não se lembra de nada da cidade natal. Foi muito nova para Juazeiro, na Bahia. De lá veio para Brasília e conheceu o marido, mineiro. “Agora moramos nós dois e uma de minhas filhas aqui, mais a menina dela. Moramos não, vivemos nesse lixo aí... mas lá era ainda pior, era muita miséria, a gente tinha uma roupa só pro ano inteiro. Aqui pelo menos as pessoas doam umas coisas de vez em quando."
Ainda assim, nem no lixo ela tem tranqüilidade. "Já me tiraram várias vezes daqui, mas eu sempre volto. Eles vêm, jogam todas as nossas coisas num caminhão, e vão embora." De acordo com Luzineide, nunca ofereceram uma outra moradia à sua família. Se dependesse dela, voltava para a Bahia, mas a família prefere ficar aqui. "Minha neta vai começar a estudar agora, quem sabe não consegue coisa melhor do que catar lixo numa carroça...", diz Luzineide, cética, porém com um quê de esperança.
Seu marido faz três viagens diárias, pelas comerciais do Plano Piloto, atrás de papel, papelão e comida. "O que der para aproveitar, nós aproveitamos. Não temos muita escolha."
Questionada sobre o decreto de 2007 que proíbe os catadores de transitarem com carroças, ela apenas prevê: "Qualquer dia vão querer proibir pobre até de andar, mas enquanto Deus me der pernas eu vou continuar andando". E segue varrendo o papel para debaixo do plástico. Inutilmente, pois a chuva a pingos grossos já chegou.
domingo, novembro 30, 2008
Rome's Ultimate Party
Ele estava lá. Era simplesmente o amigo do americano ultra-amigável, who was going to do his master in History and Political Sciences at the University of Moscow, e queria ficar com a Patty. No início achei que ele era gay. Nem tão bonito assim, sabe? Alto, magro - tipo skinny -, loiro, de cabelo comprido, com chapéu estiloso, na boite mais high society de Roma.
Mas ele tinha um sorriso, um olhar. I knew we had bonded. Tá, que ele tinha se interessado por mim. Por que, diabos, isso é tão estranho? Talvez porque os únicos caras que conseguem penetrar minha fortaleza de gelo (ha-ha) e indiferença aparente sejam que nem o ferocious Italian, ainda que eu prefira aqueles com quem a gente começa em um jantar.
"I do like to be taken to dinner first." Ao que ele responde "So do I..." e a gente simplesmente sabe. Sabe? E depois de tentar sound smart with polysyllables and a stylish and fake indifference eu simplesmente levei as mãos ao rosto e me perguntei "Why am I gonna miss this chance?".
Porque éramos naturais, ainda que adorássemos jogos de palavras. A jornalista e o estudante de English Literature, de New York Contryside, que adora música - inclusive os Mutantes, cujo bottom há pouco caíra de minha mochila -, tomar café-da-manhã at 24 hours dining rooms, e falar - sempre que querem escutar.
Ele falou que nunca made the first move, e eu que tampouco o faria. E nos olhávamos nos olhos. "He's got such innocent eyes" I kept on thinking. Eu mordia os lábios, em uma mistura de desejo com incredulidade. Não conseguia acreditar que o cara que actually dated a hippie - and thinks girls don't need heels to look better - was there, sitting next to me.
And when I told him I was being natural he asked "haha, with this make-up, the tights and the heels?" and there I went, telling him how even alternative guys go for patricinhas. E ele riu. Falamos sobre The Valley girls. Sobre Loser, Loser, Double Loser, As If, Whatever, Take a Picture, Duh. E rimos. Trocamos olhares pras bocas, olhares pros lábios. Olhares no fundo do olho. Ai, como eu queria poder filmar aqueles olhares e guardar numa caixinha.
Qual não foi minha surpresa - para mim que sempre me interesso por esses arrogantes, distantes e superiores guys... - quando ele falou "I don't fit in, dancing there..." Respondi que ele não parecia not fit in, que tinha um ar meio superior. E ele revelou: I FAKE INDIFFERENCE. E eu "ah, meio indie assim, né..." e ele "OMG, You got me all figured out, now". Brincamos com sarcasmo. Falamos sobre filosofia, Sartre, Rousseau, Sophie's World, and so on. Essa foi a parte em que zoávamos os pseudo-cults, mas mostrávamos não ser ignorantes. Mágica masturbação intelectual.
E ele falou sobre sua futura namorada, actual open-relationship. E de como ele não really ficou com muita gente em sua vida, e de como a namorada era uma ex-lésbica - who was just coming out of a five-year relationship. E do medo que ele tinha de ela ficar com a ex, que é beeeem mais ferocious. Ele não é the ferocious kinda guy, mas falou "we all need to get a little ferocious sometime!" I couldn't agree more. I just wished he had been a little more ferocious and kissed me. Mas na verdade, eu queria mesmo que aquela noite, aquela atmosfera, não acabasse. I could keep on talking - and listening - forever by his side. "I do think you're cute..." was all I got. Ai!
Isso em parte porque tenho medo dos conformes, e das horas do vamo-vê. Olho casais na pista, beijando-se loucamente, transpirando loucuras, e não me animo. Preciso de mais meiguice and bonding. A lot more. Prefiro nada, a perder a magia construída. Covardia? É bem capaz.
O pior mesmo foi quando ele foi embora, to catch his plane at 5 am, e eu disse que tudo ficaria chato. Tudo, de fato, ficou chato. Eu só queria alguém de verdade to be there. Mas ao invés disso se senta um cara que só queria faturar uma loirinha na noite... Mais um vazio, em meio ao mundo de vazios que a gente tem. Cara, there's gotta be something else.
WANTED: American Guy, named Carl, or Chad, or anything similar, from one of the (too) many NY Countrysides, who likes Os Mutantes and was at the Rome Pub Crawl, on January 13th 2008.
Acontecimentos atuais nos dão coragem para escrever sobre os antigos.
É só uma roda-gigante de erros, que insistem em não desembarcar. Deixam a menina-mulher na fila do brinquedo que é ir às alturas, ainda que com a certeza de uma eventual descida. Um dia ela consegue um lugarzinho, com direito a algodão doce e tudo!
quinta-feira, novembro 27, 2008
Como eu penso - ainda imatura!
A meu ver, a “preguiça intelectual” vai além de uma preguiça em ler livros, escrever resenhas, apresentar seminários e estar sempre em dia com o plano de trabalho a se seguir para um determinado projeto. Ela está em não se dispor a pensar.
Julgo sempre mais cômodo – ainda que muito frustrante - aceitar seguir caminhos mais óbvios, já desbravados e livres de olhares tortos. Ir na direção contrária é sempre mais doloroso, e não apenas por razões externas, como preconceitos ou discordâncias. Ao contrário: o que mais pesa são os obstáculos interiores. É a preguiça de continuar pensando!
Na última reflexão eu trouxe um pouco da minha aflição de sempre estar pensando. Entretanto, ainda mais agonizante que o constante “estado pensante” é perceber que muitas são as vezes em que tenho de deixar de lado certas opiniões, complicações, dúvidas, indagações, empecilhos e pedras no caminho em prol de um consenso – que à noite, com a cabeça no travesseiro, percebo fajuto.
Explico: são cada vez mais constantes as abdicações de um debate aprofundado em busca de um suposto consenso, com a justificativa de que esse debate atravanca ações. Alguns defendem que quanto mais se sabe, menos se faz, pois alguns empecilhos colocados nunca seriam levantados por ignorantes stricto sensu.
Não defendo um debate por debate, mas muita ação não é sinônimo de bons resultados. Ações impensadas e espontâneas certamente podem dar certo. Muitas, contudo, são as que não dão – e isso poderia ser evitado com mais reflexão e debate acerca do assunto. O debate necessariamente deve conduzir a uma ação em um determinado momento. Essa ação, porém, deve ser precedida de uma discussão profunda. Uma vez trazida à tona a complexidade de cada questão, é provável que ela jamais se esgote, mas um mínimo de debate já seria suficiente para estimular reflexões até mesmo simultâneas à ação desenvolvida, que ainda que não fosse perfeita, seria no mínimo crítica.
Muitas vezes dou lugar à preguiça de debater e expor minhas idéias, construindo argumentos fortes e fundamentados... que serão, eventualmente, refutados. Curiosamente não é uma possível (e provável) refutação que me desestimula a seguir com o debate. São os olhares e discursos criticamente apáticos de quem repudia a constante discussão; não por ser favorecido pelo status quo, mas por deliberadamente não enxergar nenhum problema nele.
Deparada com essas resistentes barreiras, muitas vezes simplesmente desisto. Ainda mais difícil que dialogar com aqueles de idéias divergentes, é se relacionar com quem nem sequer idéias tem – e não está minimamente interessado em desenvolvê-las. Aí entra outra preguiça: a de mostrar à outra pessoa o quanto esse debate, essas idéias são necessários. Muitas vezes a pessoa não assimila isso, e eu ainda me sinto como se fosse uma catequizadora, encarregada de trazer a luz aos cegos de Platão! O conflito desloca-se então do debate sobre a ação para um debate sobre a necessidade de se debater, que atrasa ainda mais qualquer resultado almejado.
Essa idéia de detentora da verdade me incomoda, como coloquei na última reflexão. Contudo, não consigo pensar e agir de outra forma que não seja através de discussões e do debate de idéias. A partir dessas reflexões cheguei então a uma conclusão que vai me servir como ponto de partida. Minhas idéias certamente não são superiores às alheias, nem eu tenho as respostas do que é certo ou errado, melhor ou pior – se é que essas respostas existem - em mim mesma. Ainda assim, uma coisa é certa: fechar-se ao debate é uma postura equivocada. Então, por mais que eu tenha pré-concepções internas, estou aberta a confronta-las e, quem sabe, muda-las. Não estou certa, nem errada, apenas pensando. E aprendendo.
domingo, novembro 16, 2008
Como eu penso - Versão imatura
- “A gente não consegue parar de pensar nunca!” ele falou, como se tivesse feito a maior descoberta de sua nada longa existência.
- “Lógico que consegue!”
- “Lógico que não! Quer ver? Tenta parar de pensar”.
Contudo, a não ser que você tenha atingido o Nirvana ou outra forma de profundo controle mental, percebe a impossibilidade de imediato. Involuntariamente começa a pensar em como não pensar e se pega pensando “eu não posso pensar, eu não vou pensar, agora – por exemplo – eu não estou pensando! Quer dizer, se eu acabei de dizer isso, na verdade estou... e agora?”
Apesar de desesperador, tal constatação me fez pensar nos meus pensamentos. Até então, nem sequer pensava neles, simplesmente pensava. A partir daquele momento, porém, sempre que pensava tentava entender porque assim pensava. Mas a própria forma como se dava a reflexão sobre o porquê de pensar daquela maneira desencadeava outro pensamento sobre o pensar.
Entrava então em um estado de profunda agonia, até conseguir me esquecer de lembrar de pensar naquele ato de pensar. Enquanto não me esquecia, tentava analisar criticamente os pensamentos. Por que pensava daquele jeito? Por que pensava aquilo? Como não pensar aquilo daquele jeito?
Por vezes era autoconfrontada a pensamentos incômodos, os quais eu mesma julgava irem de encontro ao que acreditava ser certo pensar. Pensava então: o que faz algo ser certo de pensar? Intuitivamente sabia serem valores intrínsecos a mim – e que poderiam revelar-se fajutos eventualmente – os quais me guiavam naquela direção. Estava iniciada a crise de identidade: até que ponto minha forma de pensar era mais correta que alguma alheia, e por que eu cismava em me achar mais correta, ainda que não quisesse achá-lo.
Sempre soube – talvez não desde os nove anos, mas há um bom tempo – que valores pessoais, morais ou institucionais não são parâmetro para se julgar uma ou outra forma de pensamento. Mas caía (e ainda caio, me estatelo na verdade!) no dilema: ainda que respeite outras visões, como respeitar inclusive aquelas que rechaçam as minhas? Ou ainda às vezes, por que respeitá-las? É possível respeitar a liberdade e propriedade intelectual daqueles que lhe desrespeitam?
Poderia dizer que sim, mas penso que não. Apesar de algo me dizer que deveria pensar que sim. É muito difícil achar limites para máximas como “respeito é fundamental”, ainda mais sem cair no velho conto da carochinha “sua liberdade termina onde a minha começa”. É bonito, bonito – porém falso. Dentro de minha mente me pego pedindo para acreditar que devo respeitar e aceitar, mas sinto como se na realidade isso não passasse do medíocre pensamento: “coitadinhos, eles não conseguem ver o mundo de verdade”.
Não seria eu a coitadinha, julgando ver o mundo de verdade? Meu ego diz que não, minha consciência diz que sim. E eu penso que ainda pensarei na minha forma de pensar nisso por muito, muito, tempo.
Circular da linha 82 oferece biblioteca itinerante à população
Ela desceu e desapareceu no meio da multidão. Uma semana depois, embarcou novamente naquele ônibus. E trouxe três livros para o cobrador. Eram obras de literatura brasileira. De tanta emoção, o moço engasgou. Levou para casa seu mais novo acervo. Devorou-os. Enquanto lia suas histórias, pensou: "Por que não compartilhar isso com outras pessoas?" E ele teve uma grande idéia: levaria os livros para o ônibus e assim incentivaria outras pessoas a ler também. Antes, muito antes, ele pensou em montar uma biblioteca em Sobradinho II, onde mora. Seria um espaço de leitura e pesquisa para quem quisesse chegar. Desistiu pela completa falta de apoio e nenhuma condição financeira.
Sem ter uma biblioteca fixa, resolveu que ela seria itinerante. Juntou as 10 obras que tinha em casa, colocou numa sacola e partiu para o ônibus onde trabalhava, um circular em Sobradinho II. Ali, a idéia se espalhou. Numa caixa de papelão perto da roleta, ele colocou os livros. E um cartaz: Projeto Cultura no Ônibus. Ninguém entendeu nada. "É pra pagar?", perguntavam alguns. Não era pra pagar. Era pra ler, pegar emprestado, com o compromisso de devolver, e pegar mais. Tantas vezes quisesse. Incansavelmente, ele explicou sua idéia para os passageiros da sua linha. E pedia doação. Quem tivesse algum livro em casa, e não mais quisesse, ele aceitaria.
A novidade se espalhou. Em poucos meses, havia centenas. De todos os tipos, gêneros, gostos. Até gibis. E o povo começou a ler, levar para casa, trocar. Falar de poesia, comentar sobre histórias. Nem a confusão do ônibus lotado tirou a vontade de ler dos passageiros. A linha de Antônio tornou-se a mais disputada do pedaço. Há sete meses, porém, o cobrador foi transferido para a linha 82, que parte do Núcleo Bandeirante com destino ao Setor de Abastecimento e Armazenagem Norte (Saan). Ali, recontou sua história. E mais livros chegaram. A casa modesta onde mora de aluguel com a mulher, filho e uma enteada não coube mais tanta coisa. Ele teve que alugar um barraco para guardar o acervo que não parava de chegar. Todo mês, desembolsa R$ 120, do salário de R$ 569, para pagar o aluguel do lugar onde está seu tesouro. Hoje são mais de 4 mil livros.
Feito de sonho
Na nova linha, o cobrador Antônio da Conceição Ferreira, maranhense de 36 anos e há 13 morando no DF, teve mais uma boa idéia. Deixaria as obras mais visíveis, para que o passageiro pudesse vê-las melhor. Não perdeu tempo. Foi a uma banca de jornal da Rodoviária do Plano Piloto e pediu a uma funcionária que lhe desse um porta-jornais de plástico. Contou o que pretendia fazer. Saiu dali com cara de menino que ganha presente de Natal.
No dia seguinte, levou o porta-jornais para sua biblioteca ambulante. E o pendurou depois da roleta, logo atrás do validador de cartões eletrônicos. E o anúncio, numa folha A4, impressa em computador, o nome do seu projeto. O povo que ainda não conhecia a intenção do cobrador se indagava: "O que seria aquilo?" Outros se aproximavam. E ele explicava tudo mais uma vez. Aos poucos, as pessoas foram entendendo. E descobriram que não precisariam pagar nada para ler livros, trocados todo dia. A disputa foi grande. As viagens nunca foram tão concorridas. A linha 82 virou atração. Há quem a espere com ansiedade.
Quem pega o livro assina uma ficha, que vira o cadastro. Lá, consta o nome do leitor e o telefone. Nada mais. Prazo de devolução? "Varia de acordo com a capacidade de leitura de cada um", ele explica. Em um ano, não mais que 10 livros deixaram de ser devolvidos. "Jamais vou deixar de levar meu projeto pra frente porque um ou outro não devolveu. Os honestos não podem pagar pelos não honestos", reflete o cobrador — filho de um lavrador e uma catadora de coco babuçu. Antônio deixou os confins do Maranhão atrás de um sonho: estudar e "ser alguém na vida".
Aqui, entretanto, por causa das dificuldades financeiras, ele ainda não conseguiu terminar o ensino médio. Precisou trabalhar para sobreviver. Foi auxiliar de serviços gerais, balconista, vendedor e, há 8 anos, virou cobrador. Levou o desejo de estudar para dentro do ônibus. Realiza-se quando observa um passageiro extasiado com seus livros. "Quem lê tem uma visão mais crítica das coisas, do mundo e da vida. Aí, se liberta", ele filosofa. E, assim, durante seis horas e meia por dia, seis dias por semana, faz o que mais gosta: leva conhecimento a quem, na maioria das vezes, não teria condições de comprar um livro.
Início da tarde de sexta-feira, 12h40. O Correio acompanhou uma viagem da linha 82. Nela, o cobrador Antônio e o motorista Aurélio Marcos Araújo, 35. Saída: Terminal Rodoviário do Núcleo Bandeirante. Destino: Saan. Tempo total da viagem completa: 1h30. E vamos nós. Logo na Metropolitana, bairro próximo ao terminal, sobem mãe e filha. Ambas passam na roleta. Sentam-se atrás do porta-livros. Larissa, de 7 anos , vê uma revistinha da Mônica. Não se contém. Vai até a biblioteca e pega o gibi. Encanta-se com a historinha. A mãe, Renata Oliveira, 25, elogia a idéia do cobrador: "Ajuda a viagem passar logo".
E o ônibus segue. Chega à Candangolândia. Francisca Santos, 28, entra. Auxiliar de serviços gerais numa empresa do Saan, a moça estava ansiosa para pegar aquela linha. E havia motivo especial. Na quarta-feira, pediu ao cobrador que lhe arrumasse um bom romance. Antônio foi ao seu acervo e trouxe Momentos de encanto, de Helen Bianchin. Francisca passará todo o fim de semana lendo. "Ele (Antônio) faz uma coisa que eu nunca tinha visto igual", avalia. E confessa: "Quando eu pegava o ônibus, só queria dormir. Agora, só penso em ler, ler muito".
Dedicação à cultura
Aniversariante da sexta-feira, a auxiliar de teleatendimento Adriana Leandro, 30, também embarcou na linha 82. E, grata ao cobrador que lhe devolveu o prazer da leitura (em pouco mais de três meses leu oito livros), emocionou-se: "Sou fã desse homem. Ele faz esse trabalho e não ganha nada por isso. Faz pela dedicação à cultura". Naquele dia, Adriana levou Quando é preciso voltar, de Zíbia Gaspareto. "Há um ano procurava por esse livro. Ele conseguiu pra mim. É meu presente de aniversário", comemora a leitora.
O estudante Fernando Augusto Salvador, 17, é grato a Antônio. Morador de Santa Maria, ele desce na Candangolândia para seguir na linha 82, que o leva ao Saan, onde faz estágio. Numa dessas viagens, descobriu os livros do cobrador. Pirou ao encontrar O pagador de promessas, de Dias Gomes. "Adoro ler. Este ano, já li mais de 100 livros. O que esse cara faz não tem preço, ainda mais num país onde quase ninguém lê", elogia Fernando.
E a viagem continua. O tempo urge. Uns entram, outros descem. A vida sacoleja. Mas a biblioteca sobre rodas está ali, à espera de um leitor. De alguém que possa sonhar por meio de letras. Assistindo a tanta catarse, a tantos renascimentos, Antônio admite, com os olhos marejados: "Esse é o meu sonho. Ver todo mundo lendo, pensando melhor. Queria poder colocar livros em todos os ônibus do DF". E planeja, convicto: "Ano que vem, vou voltar aos meus estudos. Em 2010, se Deus quiser, pretendo entrar na faculdade de biblioteconomia, da UnB". Tem gente que passa pela vida. Há outros que edificam, transformam, realizam sonhos e são capazes de renascer. O cobrador que encheu um ônibus de livros e tem ajudado a mudar a vida das pessoas faz parte da segunda categoria.
Por uma causa
Quem puder doar livros e ajudar Antônio no projeto cultural pode ligar para 9195-5023.
--
Notícia emocionante. Às vezes a gente coloca tanto empecilho na frente de alguns projetos e ações, enquanto pessoas despretenciosas começam com pequenas coisas e fazem toda a diferença... Fica de exemplo e inspiração.
quinta-feira, novembro 13, 2008
Letting go
Why does it always have to be a matter of letting go, huh? Well, I say "Let'em come" instead. Not that it helps - far from that, actually - but it sure makes me feel alive, rather than "numbly frustraded" slash alienated.
terça-feira, novembro 11, 2008
Tudo por uma noite na terra do nunca!
sábado, novembro 01, 2008
por Paulo Leminski
domingo, outubro 26, 2008
Eleições 2008
se escolheu Kassab,
agora é ir aguentando...
relaxando e gozando!
Por no mínimo quatro anos;
ou enquanto o DEMônio durar.
Panquecas
Na primeira vez, você prepara uma receita dupla para ir experimentando, na certeza de que pelo menos metade vai se perder. Depois de bater todos os ingredientes no liquidificador - na dúvida cruel se o sal a gosto está mais a gosto ou mais a desgosto - você se diz: "quer dizer que agora é só fritar?!".
Queimado engano. Há toda uma técnica por detrás do movimento "despeja concha na frigideira anti-aderente presente da amiga querida + espera bordas estarem secas e bolhas aparecerem no meio + vire a panqueca + está deliciosa, prontinha pra servir".
Você despeja uma concha cheia. Acha que não é suficiente, bota um pouco mais. Passam dois minutos e, apesar das bordas sequinhas e incontáveis bolhas, a panqueca parece não querer desgrudar. Você tenta um pouquinho, com uma delicadeza contestável. A panqueca quebra. Não tem volta. Bota no prato, tenta juntar, não dá jeito.
Passa à segunda concha. Dessa vez pinga uma gota de óleo na frigideira, como quem não quer nada. "Agora ela solta! Já me disseram que a liga com farinha integral é mais difícil mesmo!" E ela até solta um pouquinho. Você se anima. Consegue levantar mas, diacho, ela quebra em vários pedaços molengas impossíveis de se remendar.
Enchida a terceira concha, percebe que se fizer uma camadinha mais fina, ela desprega mais facilmente. A partir daí, tudo fica mais fácil. Uma, duas, três panquecas prontas! Na quarta a segurança já é tanta que você se atreve a ir pro computador enquanto ela frita... ousado atrevimento. Eis uma panqueca queimada.
Depois ainda vêm outras preocupações: recheio, calda, tempo ao forno. Mas é tudo um aprendizado. E, no final, você se depara com quatro panquecas super apetitosas. E um estômago embrulhado. Ah, salgadas ironias do destino. Deixa o tempo passar até que a fome volte. Mais tarde, se delicia com aquele improviso. O resultado é tão bom que você se pega tentando uma receita de bolo de banana!
Incertezas, insegurança, excesso de segurança, ironias, felicidade e recomeços. Um círculo virtuoso. Quase à la Rei Leão e seu ciclo da vida...
quarta-feira, outubro 15, 2008
Cai a noite na cidade.
segunda-feira, outubro 13, 2008
Pague 1, leve 2
Tem coisa melhor que dia dos namorados? Todo mundo apaixonado, e as lojas todas ajudando. Nunca vi tanto "Pague 1, leve 2" na vida. Só tem uma condição: mostrar certificado de feliz para sempre e de namorado presente.
Outro dia fui na creperia e tinha lá, com letras vermelhas e corações múltiplos: "No dia dos namorados venha com seu amor e pague apenas metade do preço!"
Aí eu fui! Ia com um amigo, mas ele arranjou oooutro amigo... e eu acabei indo sozinha. Pensei em comer um daqueles crepes de massa integral, com salada e carne magra, para não engordar muito, né?! Senão, aí é qu'eu nunca arranjo um namorado.
Mas a garçonete me olhou com uma cara de desprezo tão grande, que eu mudei de idéia. Pra quê?! Achei que fosse entrar em depressão. De um lado, casais apaixonados. De outro, maaais casais apaixonados. E na minha frente, uma bomba calórica.
A solução foi olhar para cima e fingir que não estava nem aí. Que era melhor que toda aquela indústria capitalista, que só pensa em vender. Vender corações, ursinhos, chocolates, abraços e amor. Onde é que se vende amor? Me fala que eu vou lá comprar. Agora mesmo! Mas tem que ter garantia infinita de não-enrolação, não-traição, não-chateação... e não-abandono.
Enquanto não acho a loja do amor, me contento com creperias. Fui ao caixa pagar a refeição. Qual não foi minha surpresa, então, quando a mulher quis cobrar a conta toda:
"Um crepe de Strogonoff, mais um de Nutella com morangos e duas Cocas Zero... dá R$26,90." Me assustei.
"Mas moça, e a promoção?!" Adivinha o que a descarada me respondeu:
"É só pros namorados, dona!" Não acreditei. Como assim?! Ainda mais que eu tinha comido tudo em dobro só pra participar...
"Ué, imagina se eu fosse dar crèpe de graça pra todo guloso que vem aqui?!" Céus! Ainda por cima me chamou de gorda. Isso porque eu nem tô tomando refrigerante.. só Coca zero. Ai ai, quanta indelicadeza.
Resolvi deixar pra lá. Já podia sentir os olhares dos casaizinhos grudi-grudi que pairavam sobre mim. Mas também, aprendi minha lição: nunca mais volto naquela creperia! Quer dizer, pelo menos não solteira!
Strong personality
At this time of year, you will become more concerned with personal matters and less with the world at large. You can project yourself with more forcefulness than usual. It is an excellent time for making an impression on others, but you must be careful because you will not be especially sensitive to their needs. For this reason, you may find it difficult to work with others during this transit.
If your efforts to work on projects with others don't seem to get anywhere now, perhaps you should defer them until later. First you should take care of the proper business of this transit, which is to experience yourself in a subjective frame of reference.
You have a great need to express yourself now, and it is a valid need. No purpose will be served by denying all your own needs in favor of a misguided concept of duty."
Nem todo horóscopo é feito por sorteio pro jornal do dia.
domingo, outubro 05, 2008
A Inclusão Social na segurança do jornalista
Estudo de caso: Seqüestro dos jornalistas de “O Dia”, em 14/05/2008
A reportagem seria um estouro: depois de duas semanas inseridos no dia-a-dia da favela do Batan, em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, a repórter, o fotógrafo e o motorista do jornal O Dia tinham material suficiente para delatar a atuação corrupta e ditatorial da milícia controladora daquela favela.
Em apenas sete horas, a reviravolta. Os jornalistas passaram de heróis da notícia a vítimas da Barbárie por eles tanto criticada. Tortura, abuso de autoridade e humilhação foram as armas que os “bandidos que usam farda nas horas vagas”[1] empregaram contra a informação. O Sindicato dos Jornalistas classifica a violência como “um dos mais graves atentados à liberdade de informação”. O coronel José Vicente da Silva, ex-secretário Nacional de Segurança Pública, aconselha a redução da cobertura das favelas cariocas. Tal redução implicaria em conseqüências bastante delicadas: não seria a violência resultado da marginalização proporcionada pela própria mídia, contra as favelas e periferias? E, assim sendo, uma diminuição da cobertura, ou – em outras palavras - imposição de uma autocensura, não daria continuidade ao círculo vicioso marginalização – violência - marginalização?
Maurício Azêdo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), coloca que “a missão do jornalista não é morrer, mas não se pode recusar a fazer uma cobertura porque o nosso trabalho é uma atividade de risco. Essa tese de que não se pode cobrir certas áreas significa imposição de autocensura” [2].
Como conciliar, então, a proteção efetiva dos jornalistas e uma cobertura completa de todas as esferas da sociedade? Ou, como coloca o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, como encontrar “um meio de a imprensa cumprir seu papel de informar com responsabilidade garantindo a integridade de seus jornalistas”[3]. Antes de tudo, cabe ressaltar quais os dois principais empecilhos para a uma eventual conciliação: (1) a ausência de interesse comercial na periferia (tanto enquanto público-alvo como valor-midiático), que culmina na falta de cobertura local; (2) e as exceções à regra – apelidadas de “infantaria do jornalismo” – que, sem a menor retaguarda, enfrentam a “missão” [4] de trazer à mídia uma abordagem autônoma e livre da periferia, que difira do estado de “terror e medo” pautado pelo “corporativismo da política, da mídia e da milícia”[5]. Tais exceções, apesar de poderem apresentar resultados heróicos, muitas vezes culminam em tragédias como esta e a de Tim Lopes – a qual completou, coincidentemente, seis anos no dia do ato de repúdio ao seqüestro dos jornalistas de O Dia.
Existem ainda, certamente, aqueles profissionais sedentos por prêmios e grandes furos. Nestes, a busca por reconhecimento e audiência supera escrúpulos e prudência, e qualquer discussão acerca de sua segurança necessitaria outra abordagem. Tratemos apenas daqueles comprometidos com a informação e o interesse público – não necessariamente “do público”.
Medidas como a “instalação de comissões de segurança nas redações, formadas por jornalistas que fiscalizem as medidas de proteção à vida e que avaliem os riscos de cada cobertura”, são velhas reivindicações do Sindicato, “o pior caminho para a imprensa será deixar que a tortura de Realengo atinja o objetivo dos torturadores: calar o jornalismo” [6]. “Para combater o crime organizado, faz-se necessária uma redação organizada”[7]. Esse objetivo só pode ser alcançado quando certos paradoxos forem vencidos: em uma sociedade tecnologicamente avançada como a nossa, onde até cachorros podem ser monitorados, o único impedimento restante à segurança dos jornalistas é o descaso. A famosa falta de interesse econômico.
Falta aos donos e diretores dos meios de comunicação a compreensão desse círculo vicioso: é do interesse da população em todos os âmbitos - economia, segurança, cidadania – que se insiram as camadas marginalizadas na agenda da mídia, e – principalmente – que esse agendamento seja positivo e não reforce ainda mais os estereótipos tradicionalmente transmitidos de criminalidade e pobreza. Somente com inclusão social e a realização de uma política de segurança para os jornalistas empenhados com essa causa, tragédias como a que atingiu os jornalistas do periódico O Dia poderão ser evitadas.
[1] Comunique-se,
[2] O Dia,
[3] Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, em Carta aos jornalistas,
[4]O Dia,
[5] BENTES, Ivana. “Mídia e Política”, Carta Capital,
[6] Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, em Carta aos jornalistas,
[7] Luiz Martins da Silva, Professor da UnB
sexta-feira, julho 04, 2008
O Buraco Do Espelho
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí
pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some
a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve
já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora
quarta-feira, julho 02, 2008
Um sorriso nos lábios
Ponha um sorriso nos lábios
que refrescante sensação de mal estar?
Vidro moído ou areia no café da manhã
e um sorriso nos lábios
Ensopadinho de pedra no almoço e jantar
e um sorriso nos lábios
O sangue, o roubo, a morte, um nego em cada jornal e
um sorriso nos lábios
Noventa e cinco sorrisos suando na condução
e um sorriso nos lábios...
Mas sonha que passa
Ou toma cachaça
Agüenta firme, irmão, na oração
Deus tudo vê e Deus dará
Ou então acha graça
É tão pouca a desgraça
Mas no fim do mês lembra de pagar a prestação
Desse sorriso nos lábios
É
Desse sorriso nos lábios
Pois é
Desse sorriso nos lábios...
O jogo, a nega, a loteca, a fome e o futebol
e um sorriso nos lábios
A taça, a vida, a dureza, viva a beleza do sol
e um sorriso nos lábios
Os olhos fundos sem sono, os corpos como lençol
e um sorriso nos lábios
O cerco, a vida, o circo, silêncio, um medo anormal
e um sorriso nos lábios
Pois o Rio de Janeiro continua lindo
tem um sorriso nos lábios
São Paulo a São Paulo continua indo
é, é
põe um sorriso nos lábios
sorria, sorria
põe um sorriso nos lábios
sorria
a vida é linda
sorria
que a vida é linda
põe um sorriso nos lábios
sorria
põe um sorriso nos lábios
que essa refrescante sensação
põe um sorriso nos lábios
sorria
olha a fo-tô-gra-fi-a
põe um sorriso nos lábios
oh, ponha um sorriso nos lábios
sorria,
a vida é linda demais
sorria
põe um sorriso nos lábios
ah esse sorriso nos lábios
põe um sorriso aí oh
põe um sorriso aí oh meu chapa
sorria.
sexta-feira, junho 13, 2008
Um Tibete acorrentado

A menos de dois meses dos tão aguardados Jogos Olímpicos de Pequim, era de se esperar que os burburinhos girassem em torno dos bilhões de Yuans gastos para convencer o mundo do surgimento de uma nova potência. Graves violações de direitos humanos, como patrocínio de chacinas sudanesas, exploração do campesinato, aplicação de métodos questionáveis no controle de natalidade, e intensa censura poderiam ser apenas detalhes. Mas não foram: o showrnalismo - ora péssimo, ora muito conveniente - não permitiu.
Tudo começou quando Steven Spielberg, com medo de tornar-se uma Leni Riefenstahl moderna, recusou o convite de filmar as olimpíadas. Depois veio a denúncia: para vencer a corrida pelo ouro contra os Estados Unidos, a China adotara sistema exploratório e desumano no treinamento de atletas.
“Desumano”: palavra de impacto. Tanto impacto que foi incorporada por outras reivindicações, em especial pela já quinquagenária luta separatista tibetana. Budistas pacíficos, seguidores de Dalai Lama, arriscaram protestos e sofreram com a violenta represália.“Libertem o Tibet”, “livrem-no dos grilhões chineses”, “afrochem as amarras imperialistas!” foram e continuam sendo entoados. Os gritos de guerra ecoam por toda a parte, inclusive na fotografia. O resultado? Certo realismo com um quê de simbólico, perfeito para o fotojornalismo artístico, saltitante aos olhos e às mentes inquietas.
O grito ecoa, é propagado. Nós ouvimos, fazemos passeatas e, até mesmo, abaixo-assinados. Mas ele não consegue deixar a parede: as correntes não permitem. Os meios de comunicação vão parar detrás das grades. A voz é abafada. O grito é mantido. Enrouquece. Resta saber o que é mais resistente: o metal das grades que começam a enferrujar, ou a força do grito deles, dos gritos nossos.
Gustando.
"Me gustan los aviones, me gustas tu.
Me gusta viajar, me gustas tu.
Me gusta la mañana, me gustas tu.
Me gusta el viento, me gustas tu.
Me gusta soñar, me gustas tu.
Me gusta la mar, me gustas tu.
Que voy a hacer, je ne sais pas.
Que voy a hacer, je ne sais plus.
Que voy a hacer, je suis perdu.
Que horas son, mi corazón.
Me gusta la moto, me gustas tu.
Me gusta correr, me gustas tu.
Me gusta la lluvia, me gustas tu.
Me gusta volver, me gustas tu.
Me gusta marijuana, me gustas tu.
Me gusta colombiana, me gustas tu.
Me gusta la montaña, me gustas tu.
Me gusta la noche, me gustas u.
Que voy a hacer, je ne sais pas.
Que voy a hacer, je ne sais plus.
Que voy a hacer, je suis perdu.
Que horas son, mi corazón."
