sábado, outubro 15, 2011
Trechos do educador Moacir Gadotti
"Vou dar dois pontos onde o atraso continua, em que nós paramos, simplesmente estacionamos: educação de adultos, nós praticamente estacionamos nos analfabetos. E a outra é na creche, de 0 a 4 anos, onde 34% das vagas são pagas e apenas 14 em cada 100 crianças de 0 a 4 têm acesso à creche.
(...) Quando eu vejo que uma mãe trabalhadora, empregada doméstica, sai lá da zona leste pra trabalhar nos Jardins e amarra, acorrenta uma criança de quatro anos e ela é responsabilizada criminalmente por isso, quem deve ser responsabilizado é o Estado. A prefeitura aqui tem 84 mil pedidos de vagas em creche que não são atendidos. É um crime o que se faz com essa criança e com essa mãe. Como é que está uma mãe que vai trabalhar em uma casa, é de chorar isso aí, é de chorar, é de arrepiar. Eu me coloco na pele dessa mãe que deixa uma criança em casa, que não tem onde deixar, ou que deixa com uma outra de sete anos. Essa criança teria que estar na escola, caramba!" (Entrevista a Caros Amigos, fevereiro/2010)
15 de outubro. Dia das educadoras e educadores e, mais do que nunca, dia de lutar pelos 10% do PIB pra nossa educação pública, gratuita, acessível, democrática, inclusiva, crítica, emancipatória e popular!
sexta-feira, junho 17, 2011
Manifesto da Marcha das Vadias de Brasília
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
Coragem
sexta-feira, julho 04, 2008
O Buraco Do Espelho
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí
pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some
a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve
já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora
sexta-feira, junho 13, 2008
Um Tibete acorrentado

A menos de dois meses dos tão aguardados Jogos Olímpicos de Pequim, era de se esperar que os burburinhos girassem em torno dos bilhões de Yuans gastos para convencer o mundo do surgimento de uma nova potência. Graves violações de direitos humanos, como patrocínio de chacinas sudanesas, exploração do campesinato, aplicação de métodos questionáveis no controle de natalidade, e intensa censura poderiam ser apenas detalhes. Mas não foram: o showrnalismo - ora péssimo, ora muito conveniente - não permitiu.
Tudo começou quando Steven Spielberg, com medo de tornar-se uma Leni Riefenstahl moderna, recusou o convite de filmar as olimpíadas. Depois veio a denúncia: para vencer a corrida pelo ouro contra os Estados Unidos, a China adotara sistema exploratório e desumano no treinamento de atletas.
“Desumano”: palavra de impacto. Tanto impacto que foi incorporada por outras reivindicações, em especial pela já quinquagenária luta separatista tibetana. Budistas pacíficos, seguidores de Dalai Lama, arriscaram protestos e sofreram com a violenta represália.“Libertem o Tibet”, “livrem-no dos grilhões chineses”, “afrochem as amarras imperialistas!” foram e continuam sendo entoados. Os gritos de guerra ecoam por toda a parte, inclusive na fotografia. O resultado? Certo realismo com um quê de simbólico, perfeito para o fotojornalismo artístico, saltitante aos olhos e às mentes inquietas.
O grito ecoa, é propagado. Nós ouvimos, fazemos passeatas e, até mesmo, abaixo-assinados. Mas ele não consegue deixar a parede: as correntes não permitem. Os meios de comunicação vão parar detrás das grades. A voz é abafada. O grito é mantido. Enrouquece. Resta saber o que é mais resistente: o metal das grades que começam a enferrujar, ou a força do grito deles, dos gritos nossos.




